Atualizado em 09/29/2026 by Isi

hábitos que podem prejudicar o desenvolvimento infantil.
Fonte: Acervo Pessoal (Pipoca na Panela)

Existe um tipo de preocupação que quase todo pai e toda mãe conhece: será que meu filho está comendo bem? Está estudando? Está dormindo o suficiente? Está indo bem na escola? Mas existe outra pergunta, talvez ainda mais importante: Quais hábitos estamos construindo hoje que podem aparecer como consequências somente daqui a alguns anos?

A infância passa muito rápido, e justamente por isso, pequenas escolhas que parecem inofensivas no dia a dia podem se transformar em hábitos duradouros. Não estamos falando de uma criança que come um doce no aniversário, assiste a um desenho ou passa uma tarde no celular. O problema está no excesso, na frequência e, principalmente, quando determinados comportamentos começam a substituir experiências importantes para o desenvolvimento infantil.

A Organização Mundial da Saúde destaca que os primeiros anos são um período de rápido desenvolvimento físico e cognitivo e que é justamente nessa fase que muitos hábitos e padrões familiares começam a ser estabelecidos. Por isso, vale olhar com atenção para algumas coisas que podem parecer normais hoje, mas que podem cobrar um preço no futuro.

1. Excesso de telas: quando o celular começa a ocupar o lugar da infância

Talvez esse seja um dos exemplos mais conhecidos, celular, tablet, televisão e videogame fazem parte da realidade das famílias, mas o problema não é simplesmente a existência da tecnologia, e sim quando a tela começa a ocupar o espaço que deveria ser preenchido por brincadeiras, movimento, conversa, leitura, sono e interação com outras pessoas.

Uma criança pode passar horas diante de uma tela sem perceber que deixou de correr, imaginar uma brincadeira, conversar com os pais ou simplesmente de ficar entediada, a OMS recomenda limitar o tempo sedentário diante de telas para crianças pequenas. Para crianças de 2 anos, por exemplo, a recomendação é de no máximo uma hora de tela sedentária por dia, para crianças de 3 e 4 anos, também até uma hora, lembrando que menos é melhor.

E existe outro detalhe importante, o que a tela substitui? se uma hora de desenho substitui uma hora de brincadeira ativa, leitura compartilhada ou conversa, a questão não é apenas o tempo de tela e sim a experiência que deixou de acontecer naquele momento.

A própria Academia Americana de Pediatria destaca que o excesso de telas pode substituir interações e rotinas importantes, incluindo a leitura compartilhada e experiências relacionadas ao desenvolvimento da linguagem e das habilidades socioemocionais.

O que podemos fazer?

Não precisa transformar a casa em uma zona proibida para celulares, estabeleça horários, evite telas durante as refeições e antes de dormir, e o principal, crie alternativas interessantes como os livros, desenhos no papel, brincadeiras, atividades manuais, música, jogos de tabuleiro e brincadeiras ao ar livre.

2. Não criar o hábito da leitura

hábitos que podem prejudicar o desenvolvimento infantil.
Fonte: Acervo Pessoal (Pipoca na Panela)

O pensamento de que a criança é pequena e depois ela aprende a gostar de livros, pode parecer inocente, mas os primeiros anos são justamente uma excelente oportunidade para construir uma relação positiva com os livros. A leitura não serve apenas para ensinar a criança a juntar letras.

Quando um adulto lê para uma criança, ela entra em contato com novas palavras, histórias, emoções, perguntas e formas de compreender o mundo. A Academia Americana de Pediatria destaca que a leitura compartilhada ajuda no desenvolvimento da linguagem, da alfabetização e das habilidades socioemocionais, além de fortalecer o relacionamento entre adultos e crianças.

E o mais interessante, a criança aprende a gostar de ler antes mesmo de aprender a ler as palavras de fato. Ela associa o livro ao colo, à atenção dos pais, à curiosidade e ao prazer de descobrir uma história, quando a infância passa inteira sem livros, pode ser muito mais difícil transformar a leitura em um hábito espontâneo posteriormente.

3. Excesso de açúcar, doces e fast food

“É só um chocolate.” , “Ele não come nada, então deixo comer o que quiser.” , “Quando crescer ele melhora a alimentação.”, essas frases são comuns porque alimentar crianças pode ser realmente desafiador.

Mas existe uma diferença enorme entre oferecer um doce ocasionalmente e oferecer sempre doces a criança, construir uma rotina alimentar baseada em alimentos ultraprocessados, bebidas açucaradas, fast food e excesso de açúcar será prejudicial a longo prazo.

A OMS recomenda limitar o consumo de bebidas açucaradas e alimentos muito densos em energia e incentivar hábitos alimentares mais saudáveis desde cedo e há uma questão comportamental importante, o paladar da criança também está sendo construído.

Quanto mais uma criança é exposta constantemente a alimentos muito doces e altamente palatáveis, mais difícil pode ser para ela se interessar por sabores menos intensos no futuro.

Além disso, hábitos alimentares estabelecidos durante a infância podem acompanhar a pessoa por muitos anos, porém, sso não significa que uma criança nunca possa comer pizza, hambúrguer, sorvete ou chocolate e sim que esses alimentos não devem ocupar o lugar de uma alimentação variada.

Uma mudança simples pode ser a oferta de frutas da época, água como bebida principal, refeições variadas e participação da criança no preparo dos alimentos, essas são estratégias muito mais sustentáveis do que apenas proibir o consumo.

4. Dormir pouco ou ter uma rotina de sono completamente desorganizada

Esse é um hábito que muitas famílias subestimam, a criança dorme tarde porque está brincando, depois assiste televisão, pega o celular, no dia seguinte acorda cansada e o ciclo se repete.

O sono não é simplesmente um período em que a criança “fica parada”, ele faz parte de uma rotina essencial para o desenvolvimento e o bem-estar. As recomendações da OMS para crianças pequenas associam sono adequado, atividade física e redução do comportamento sedentário a uma rotina saudável. Para crianças de 3 e 4 anos, por exemplo, são recomendadas de 10 a 13 horas de sono por dia, incluindo os cochilos. Por isso, uma criança que dorme pouco repetidamente pode estar perdendo muito mais do que algumas horas de descanso.

Crie um ritual previsível de tomar banho, vestir o pijama, deixar uma uz mais baixa no ambiente, ler ou contar uma história e depois ir pra cama, e, sempre que possível, mantenha horários relativamente consistentes, a rotina não precisa ser perfeita e nem vai ser, ela precisa ser previsível para que a crinça já saiba o que vai acontecer e evitar as constantes explicações de porque dormir naquela hora.

5. Fazer tudo pela criança para evitar trabalho, bagunça ou frustração

Agora chegamos a um hábito que pouca gente relaciona ao desenvolvimento infantil, você veste a criança porque é mais rápido, arruma a mochila porque ela demora, resolve o conflito porque é mais fácil, escolhe a roupa porque ela não decide rápido ou fica indeciso, pega o brinquedo porque ela está com preguiça de arrumar os próprios brinquedos que ele bangunçou, faz a tarefa porque ela não consegue.

Percebe que tem algo errado? O adulto toma pra si responsabilidades que devem ser da criança, são deveres que ela já consegue realizar e o adulto toma a frente. No começo, isso parece apenas cuidado, mas, quando acontece constantemente, pode transmitir uma mensagem involuntária de que a criança não consegue fazer sozinha. Lebre que a criança precisa de oportunidades para tentar, errar, esperar, escolher e resolver pequenos problemas, isso faz parte do desenvolvimento como pessoa.

O Centro de Desenvolvimento Infantil da Universidade de Harvard destaca a importância das experiências e interações responsivas na construção das bases do desenvolvimento cerebral e das habilidades que sustentam aprendizagem, comportamento e bem-estar ao longo da vida.

Deixar que a criança realize essas atividades que ela já da conta não significa abandonar a criança para aprender sozinha, e sim estar ao lado para oferecer ajuda na medida certa e quando ela precisa. Essa pequena mudança pode fazer uma enorme diferença na construção da autonomia e senso de dever que ela está construindo.

6. Tentar eliminar toda frustração da vida da criança

Ninguém gosta de ver uma criança chorando, por isso, muitas vezes os adultos tentam resolver imediatamente qualquer situação que cause frustração, seja quando perde um jogo, não gosta da comida ou quer um brinquedo que pertence a outra pessoa.

O problema é que a vida adulta não funciona como um conto de fadas, crescer também significa aprender a esperar, ouvir “não”, perder, tentar novamente, negociar e lidar com situações que não saem como planejado, isso não quer dizer que você sera rígido ou ignorar o sofrimento da criança.

7. Falta de tempo de qualidade e de conversa

Esse talvez seja o hábito mais silencioso de todos, uma família pode morar na mesma casa e, ainda assim, passar pouco tempo realmente conectada. O adulto está no celular, a criança está na televisão, todos estão ocupados, as refeições acontecem rapidamente e as vezes com o celular na mão sem realmente ouvir ou estar interessado na outra pessoa que está a sua frente.

Crianças precisam de interação, se sentirem e serem ouvidas de verdade, é dentro de casa que ela aprende como funciona as interações humanas. O Centro de Desenvolvimento Infantil de Harvard explica que as interações de “serve and return” ( quando a criança demonstra algo e o adulto responde de maneira atenta ) ajudam a construir circuitos cerebrais relacionados à linguagem, às habilidades sociais e ao desenvolvimento emocional.

BÔNUS:

O hábito que quase ninguém percebe: não deixar a criança ficar entediada

hábitos que podem prejudicar o desenvolvimento infantil.
Fonte: Acervo Pessoal (Pipoca na Panela)

E aqui está uma coisa que muitos pais não imaginam, o tédio não é necessariamente o inimigo, vivemos em uma época em que qualquer minuto vazio pode ser preenchido, de preferência com um celular na mão ou na frente da TV.

Mas momentos sem entretenimento pronto podem dar à criança a oportunidade de inventar uma brincadeira, observar o ambiente, criar histórias, desenhar, construir alguma coisa ou simplesmente pensar.

Veja que eu não disse que os pais devam propositalmente deixar a criança sem atenção ou estímulo, e sim que nem todo minuto precisa ser preenchido por uma atividade organizada ou por uma tela, brincar livremente também é uma experiência importante.

A própria OMS destaca que, para crianças pequenas, substituir tempo sedentário diante de telas por brincadeiras ativas e reservar momentos sedentários para atividades interativas sem tela, como leitura, histórias e quebra-cabeças, é importante para o desenvolvimento.

Então, da próxima vez que seu filho disser que está entediado, talvez você não precise imediatamente encontrar alguma coisa para entretê-lo, você pode simplesmente conversar e pensar juntos em uma atividade legal para os dois.

O problema não é uma infância “imperfeita”

É importante deixar uma coisa clara: Este artigo não é uma lista de coisas que os pais nunca podem fazer, uma criança pode comer brigadeiro, assistir desenho, jogar videogame, dormir mais tarde em uma ocasião especial, passar um dia inteiro sem abrir um livro, ficar entediada, ter uma semana difícil, isso faz parte da vida.

O que merece atenção é quando uma exceção vira rotina e quando hábitos pouco saudáveis começam a substituir experiências fundamentais, ela precisa ter equilíbrio, vínculo, movimento, sono, alimentação adequada, brincadeira, conversa, leitura e espaço para a criança desenvolver autonomia.

Comece com uma mudança hoje

Você não precisa mudar sete coisas de uma vez, escolha apenas uma por vez, hoje, talvez seja desligar a televisão durante o jantar, amanhã, ler uma história por 10 minutos, depois, deixar seu filho tentar fazer sozinho algo que você sempre faz por ele.

E se você conhece outro pai ou mãe que precisa ler isso compartilhe este artigo. Às vezes, uma informação simples chega a uma família justamente no momento em que ela precisava repensar um hábito.

Se você leu até aqui, recomendamos o livro: O Cérebro Da Criança: 12 Estratégias Revolucionárias Para Nutrir A Mente Em Desenvolvimento Do Seu Filho E Ajudar Sua Família A Prosperar

Fontes confiáveis

  • Organização Mundial da Saúde (OMS) — recomendações sobre atividade física, comportamento sedentário e sono na infância.
  • American Academy of Pediatrics (AAP) — evidências e recomendações sobre leitura compartilhada e desenvolvimento da alfabetização.
  • Harvard Center on the Developing Child — desenvolvimento cerebral, relações responsivas, brincadeira e experiências na primeira infância.
  • OMS — alimentação e obesidade — recomendações relacionadas à alimentação saudável, bebidas açucaradas e hábitos desde os primeiros anos.

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Eu sou Isi

Sou professora, ilustradora e apaixonada pelo universo infantil. Criei este blog para compartilhar ideias, atividades educativas, dicas e inspirações que possam tornar a aprendizagem mais leve, criativa e divertida para crianças, pais e professores.

Por aqui, você vai encontrar um pouco de tudo que faz parte do meu mundo: educação, criatividade, livros, brincadeiras e muitas ideias para aprender de um jeito especial.

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