Atualizado em 09/29/2026 by Isi

Imagine duas cenas, na primeira, uma criança está sentada assistindo a um vídeo colorido no tablet, na segunda, está no sofá com um adulto enquanto alguém lê uma história. As duas experiências podem ser interessantes, mas cada uma vai trazer benefícios diferentes.
A discussão sobre livros e telas costuma virar uma disputa, se a tecnologia é ruim ou se os livros estão ultrapassados, a realidade é muito mais complexa, o que importa não é apenas escolher entre livro ou tela, mas o que a criança está fazendo com aquele conteúdo que ela vê nas telas, quanto tempo está usando e o que esse tempo na frente das telas está substituindo.
A OMS recomenda, para crianças pequenas, reduzir tempo sedentário diante de telas e valorizar atividades interativas sem tela, incluindo leitura e contação de histórias com um cuidador.
O que acontece quando a criança lê?
Quando um adulto lê uma história para uma criança, existe muito mais acontecendo do que simplesmente ouvir as palavras, a criança observa imagens, escuta vocabulário, faz perguntas, tenta prever o que acontecerá, relaciona a história com as experiências próprias, aprende a acompanhar uma sequência, e, principalmente, existe interação.
O adulto pode perguntar o por que ela acha que o persnagem fez aquilo, como o personagem está se sentindo, se ela faria diferente, dessa forma você transforma o livro em um momento de conversa e proximidade com a criança.
E quando a criança assiste a um vídeo?
Uma tela também pode oferecer experiências educativas, existem documentários, histórias, músicas, aulas, jogos educativos e conteúdos de qualidade. O problema aparece quando a tela passa a ser utilizada como substituta constante de experiências fundamentais, por exemplo, a tela no lugar de uma brincadeira, de uma conversa, no lugar de sono, movimento, leitura compartilhada.
A OMS enfatiza justamente a importância de considerar o conjunto das 24 horas da criança e substituir tempo sedentário por atividade física e outras experiências interativas, se ela puder estar interagindo com outras crianças, é ainda melhor.
O livro exige participação
Mesmo quando a criança apenas ouve, a leitura compartilhada permite interação., o adulto pode parar, perguntar, voltar, explicar, a criança pode apontar, comentar, imaginar. Uma história pode demorar cinco minutos ou meia hora, não existe necessariamente um ritmo obrigatório, nesse momento a criança pode perguntar sobre o significado de novas palavras e assim aumentar o vocabulário, leitura com livros é sucesso.
A tela pode ser mais passiva
Essa afirmação está parcialmente correta, porém isso depende muito do conteúdo, um vídeo pode simplesmente prender a atenção da criança, assim como, também pode ensinar, por isso, não é correto afirmar que toda tela é prejudicial ou que todo livro é automaticamente educativo, a qualidade e contexto importam bastante.
Uma história mal escolhida pode ensinar pouco ou ser desinteressante para a criança, enquanto que um vídeo educativo assistido com um adulto pode gerar uma excelente conversa e muitos ensinamentos, um ótimo exemplo de vídeos educativos são do canal Manual do Mundo disponíveis no Youtube.
E se a criança assistir a um vídeo e depois ler?
Essa combinação é excelente, imagine assistir a um vídeo sobre animais e depois pegar um livro sobre o mesmo tema, a criança pode fazer uma compararação entre o vídeo e o livro, com isso a tela não substituiu o livro, ela criou uma ponte para ele.
Livros estimulam imaginação?
Os livros podem oferecer bastante espaço para imaginação porque a criança precisa construir mentalmente partes da história, por exemplo, quando conta um trecho da história sobre uma casa enorme no meio da floresta, a criança cria uma representação mental e o vídeo, por outro lado, já apresenta imagens prontas com sons e movimentos, os dois modelos são bons e depende do que você quer no momento, que a criança exerça a imaginação ou que ela reflita sobre o que viu no vídeo.
O adulto continua sendo importante

Uma das melhores coisas que um pai ou mãe pode fazer é participar ativamente da vida da criança, mesmo nos pequenos momentos, em vez de simplesmente entregar um livro, leia com ela e experimente compartilhar esse momento juntos em vez de apenas ficar perguntando o que tem na história, e a ordem dos acontecimentos. A interação pode transformar esse momento em uma situação memóravel, seu filho vai lembrar desses momentos mesmo depois de grande.
E quando a criança prefere o celular?
Isso é muito comum, as telas oferecem estímulos rápidos, enquanto um livro pode exigir mais tempo para entrar na história, por isso, não espere que a criança abandone o celular espontaneamente para procurar um livro, crie esses momentos e o incentive sempre que possível, deixe os livros acessíveis, leia histórias que tenham temas de interesse dela. Se a criança gosta de dinossauros, ofereça livros e revistas sobre dinossauros, assim como com o futebol, animais, planetas…
Não transforme o livro em obrigação
Se toda leitura termina com perguntas que não acabam mais, sempre quer saber a moral das histórias, pede pra criança explicar o que aconteceu e outras atividades, a criança pode começar a associar livro a tarefa, às vezes, basta ler, rir, conversar e imaginar, só isso!
Afinal, livro é melhor que tela?

Isso depende do que você quer, mas a minha experiência pessoal é sempre os livros, já temos muito tempo de tela ao longo do dia e incluir livros independente do gênero é sempre bom, se a criança recusa sempre o livro, tente usar livros digitais, o Itaú tem um projeto de leitura para crianças, há várias opções de livros digitais bem dinâmicos que podem despertar a atenção da criança e assim começar o interesse pelo mundo da leitura.
Então reforço novamente, não desista da leitura, comece com 5 ou 10 minutos por dia, um capítulo ou até mesmo paragrafos se a criança for muito relutante, escolha histórias que tenham relação com aquilo que ele ama e transforme o momento em conexão e não em obrigação.
Se esse artigo te ajudou, compartilhe com outro pai ou mãe que está tentando equilibrar livros e telas em casa. Escreva nos comentários a sua opinião, você prefere os livros ou telas, tem alguma dica para outros pais de como estimular os filhos a lerem mais?
Fontes confiáveis
OMS — atividade física, comportamento sedentário e sono na infância
American Academy of Pediatrics — promoção da leitura e alfabetização infantil
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