Atualizado em 09/29/2026 by Isi

Criar uma criança não significa apenas ensinar boas maneiras, ajudar na escola e cuidar da alimentação. Existe também uma parte invisível da infância: a maneira como a criança aprende a entender e lidar com aquilo que sente como a raiva, medo, frustração, ciúme, tristeza, vergonha, alegria entre outras.
O desenvolvimento emocional começa cedo e é influenciado pelas experiências da criança e pelo ambiente em que ela cresce. O Center on the Developing Child, de Harvard, destaca que a capacidade de regular emoções e lidar com interações sociais é importante para o desenvolvimento posterior. Por isso, alguns hábitos dos adultos merecem atenção pois influenciam bastante o futuro de uma criança.
1. Mandar a criança parar de chorar
“Engole o choro”, “Menino não chora”, “Você está chorando por isso?”, “Não tem motivo para chorar”. Essas frases podem ensinar uma mensagem perigosa de que algumas emoções não são aceitáveis, porém a criança precisa aprender que sentir tristeza não é errado, mas ao mesmo tempo isso não significa permitir qualquer comportamento sem uma correção. Você pode acolher a emoção e manter o limite, por exemplo, “Você pode ficar bravo, mas não pode bater em outra pessoa ou quebrar as coisas.”
2. Resolver todos os problemas

É normal os pais querer proteger seus filhos, mas proteger não significa impedir toda dificuldade que aparecer, se a criança briga com um amigo e o adulto imediatamente resolve tudo, ela perde uma oportunidade de aprender a conversar e resolver os próprios conflitos.
Se ao sugerir uma brincadeira, os colegas não aceitam, o adulto/responsável não precisa necessariamente interferir, dependendo da situação e da idade da criança, pode perguntar “Como você acha que poderia resolver isso?”, e ajudar a resolver a situação, mas sem tomar a frente, a criança precisa desenvolver a autoresponsabilidade e lidar com as frustrações que aparecem na vida. Veja, se ela não consegue lidar com essas pequenas frustrações agora, que tipo de adulto essa criança vai se tornar?
3. Usar medo como ferramenta de educação
“Se você não obedecer, vou embora”, “Se fizer isso, ninguém vai gostar de você”, “Vou contar para todo mundo”, essas são exemplos de frases que tira, toda a segurança de uma criança, a ameaça pode gerar obediência imediata, mas não necessariamente ensina autorregulação. Disciplina saudável envolve limites claros e consequências coerentes. Um bom teste de consciência é sempre se pôr no lugar da criança, você se sentiria tranquila em saber que vive sobre ameaça constante e qualquer erro seu será motivo de chacota ou será usado contra você? Muitos de nós passamos por isso quando criança, mas cabe a nós quebrar esse ciclo vicioso.
4. Criticar constantemente
Uma criança que ouve frequentemente: “Você nunca faz nada direito”, “Você é muito difícil” ou “Você só dá trabalho”, pode começar a incorporar esses rótulos à própria identidade de tanto ouvir, uma coisa diferente é dizer: “Esse comportamento não foi adequado”, nessa frase você corrige o comportamento sem transformar a criança no problema, o problema foi o comportamento que pode mudar e não na pessoa.
5. Nunca permitir frustração
A vida é cheia de pequenas esperas, esperar a vez, esperar o aniversário, ouvir “não”, perder, não conseguir, aprender a lidar com todas essas experiências faz parte do desenvolvimento, o objetivo não é criar sofrimento proposital, é permitir que a criança enfrente frustrações proporcionais à idade com um adulto por perto para ajudá-la a atravessá-las. Como mencionado anteriormente, pequenas frustrações fazem parte da vida e do crescimento como pessoa.
6. Não conversar sobre sentimentos

Perguntar como foi o dia, as vezes não é o suficiente para a criança desabafar ou iniciar uma conversa de verdade, os pais precisam fazer perguntas mais específicas, por exemplo: Teve algo que te deixou feliz/ bravo, chateado hoje? , como foi sua aula, qual atividade você mais gostou?
Essas perguntas criam oportunidades para a criança colocar sentimentos em palavras, compartilhar os momentos que passa fora de casa longe dos pais e estimulam a confiança, crescem sabendo que tel alguem em casa que é o porto seguro e podem confiar de olhos fechados e estão sempre lá caso seja necessário.
7. Viver em um ambiente completamente imprevisível
Uma rotina caótica pode tornar o dia mais difícil para a criança, quando horários, regras e expectativas mudam constantemente, pode ser difícil saber o que esperar. A estabilidade no ambiente de desenvolvimento é um dos fatores que podem beneficiar aspectos comportamentais, cognitivos e emocionais.
Por isso tantos profissionais sempre enfatizam que crianças precisam de rotina, isso não quer dizer que tudo deve ser feito rigorosamente sempre no mesmo horário, mas sim que a previsibilidade faz bem a criança, a rotina traz calma e o cerébro da criança não precisa ficar em alerta constantemente.
Gosto de sempre dar exemplos que se aplicam a nós, imagine a situação que você vai trabalhar, mas o seu trabalho do dia é sempre uma surpresa, num dia você está na parte administrativa, no outro você é mandado para as vendas, em determinado dia você é acordado com uma ligação que você já devia está no trabalho, pois naquele dia tinha que chegar mais cedo, mas ninguém te avisou. Essa falta de rotina tira a sanidade de uma pessoa, por mais que as vezes a rotina seja um pouco chata e entediante, ela se fa necessária, não dá pra viver sempre em alerta.
Como fortalecer o desenvolvimento emocional?
Você não precisa criar uma casa sem conflitos, aliás, isso seria impossível. O que a criança precisa é de adultos que demonstrem como lidar com conflitos, dizer “Eu fiquei irritado, então preciso respirar antes de responder.”, pode ser muito mais educativo do que simplesmente mandar a criança se acalmar ou dizer que aquilo não é nada e mandar ficar normal. As crianças aprendem muito com o nosso próprio comportamento, elas replicam o que aprendem e se queremos que elas tenham bons comportamentos, devemos ser os primeiros a dar o exemplo.
Educação emocional também acontece pelo exemplo, você não precisa ser um pai perfeito para ajudar seu filho a desenvolver inteligência emocional. Comece por uma coisa: escute mais antes de tentar resolver.
É comum as crianças mudarem o comportamento na escola, isso devido aos exemplos e limites que ela tem nesse espaço, se em casa ela tem um mau comportamento ou prefere ficar sempre calada em casa e na escola é o oposto, talvez ela sinta que em casa não é um espaço seguro para ela se abrir e compartilhar os próprios pensamentos.
Livro O Monstro Das Cores: Doutor Das Emoções E A Mala De Regulação para o Desenvolvimento Emocional
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Fonte confiável
Harvard Center on the Developing Child — desenvolvimento emocional infantil
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