Atualizado em 09/29/2026 by Isi

Você já tentou chamar seu filho para ler um livro e ouviu um “só mais cinco minutos” enquanto ele continuava olhando para o celular? Essa situação é cada vez mais comum em muitas famílias. As telas fazem parte da rotina das crianças e podem ser divertidas, envolventes e fáceis de acessar. Por isso, simplesmente dizer “larga o celular e vai ler” nem sempre funciona.
A boa notícia é que você não precisa transformar o livro em um castigo e nem fazer uma competição entre leitura e tecnologia. É possível incentivar a leitura infantil de maneira gradual, tornando os livros mais interessantes e criando momentos em que a criança tenha vontade de ler.
Neste artigo, você vai conhecer estratégias simples para ajudar seu filho a diminuir o tempo de tela e se aproximar dos livros sem transformar a leitura em uma obrigação.
Por que o celular pode ser mais atraente do que um livro?
Antes de tentar mudar um hábito, é importante entender por que ele existe. O celular oferece estímulos rápidos: vídeos curtos, jogos, músicas, notificações, imagens e recompensas constantes. O conteúdo muda rapidamente e exige pouco esforço para começar. Se é viciante pra gente que é adulto, imagina pra uma criança que ainda está em formação.
O livro funciona de outra maneira, a criança precisa olhar, acompanhar a história, imaginar situações e permanecer envolvida por mais tempo. Para algumas crianças, principalmente aquelas que ainda estão desenvolvendo o hábito de leitura, começar um livro pode parecer muito menos atraente do que assistir a um vídeo.
Isso não significa que a criança “não gosta de ler”, às vezes, ela simplesmente ainda não encontrou o livro certo ou não desenvolveu o hábito. Por isso, a solução não é necessariamente proibir o celular. É criar condições para que a leitura também seja uma experiência agradável.
Experiência pessoal, quando criança eu até lia, mas não era algo frequente, meu despertar na leitura foi por volta dos 13/14 anos quando Crepúsculo estava em alta e comecei a devorar todos os livros da saga, livros da escritora e temas semelhantes, ou seja, dê tempo ao tempo, uma hora essa criança vai achar algo interessante, enquanto isso não acontece continue oferecendo temas diferentes.
1. Não transforme o livro em castigo

Uma das primeiras coisas que você pode fazer é observar como a leitura é apresentada em casa. Se a criança escuta frases como:“Você já ficou muito tempo no celular. Agora vai ler.” o cérebro dela pode começar a associar o livro a uma punição, em vez disso, tente criar uma relação mais positiva. Por exemplo: “Vamos escolher uma história para ler juntos?” ou: “Olha esse livro que encontrei. Acho que você vai gostar desse personagem.”
A diferença parece pequena, mas muda a maneira como a criança percebe a leitura. O objetivo é fazer com que o livro seja visto como uma possibilidade de diversão, descoberta e conexão e não como consequência de ter usado a tela por tempo demais.
2. Deixe a criança escolher o que quer ler
Esse é um dos pontos mais importantes para desenvolver o hábito da leitura, muitas vezes, adultos escolhem os livros pensando no que consideram adequado, educativo ou importante, mas a criança também precisa ter espaço para escolher.
Ela pode preferir:
- histórias de animais;
- aventura;
- mistério;
- dinossauros;
- princesas;
- super-heróis;
- histórias engraçadas;
- quadrinhos;
- livros de curiosidades;
- livros ilustrados;
- poesia;
- histórias de fantasia.
Nem todo livro precisa ser escolhido porque “vai ensinar alguma coisa”, o interesse também é um excelente ponto de partida. Se a criança gosta de dinossauros, por exemplo, você pode começar por livros sobre dinossauros. Depois, naturalmente, pode apresentar outros gêneros.
3. Crie um horário especial para a leitura
Em vez de simplesmente mandar a criança ler, crie um pequeno ritual. Pode ser 15 minutos antes de dormir, ou 20 minutos depois do jantar. O horário não precisa ser longo, no começo, até mesmo 10 minutos podem ser suficientes, o mais importante é a regularidade. Com o tempo, aquele momento passa a fazer parte da rotina familiar.
Você pode preparar um ambiente confortável, diminuir as distrações e deixar alguns livros acessíveis. A ideia é criar uma associação: momento de leitura é um momento de calma e atenção que compartilham.
4. Leia junto com seu filho

Se você quer incentivar seu filho a ler, uma das melhores estratégias é mostrar que você também gosta de livros. Não precisa necessariamente ler o mesmo livro, você pode sentar perto da criança com seu próprio livro enquanto ela lê o dela, isso cria um ambiente em que ler é algo natural. Para crianças menores, a leitura compartilhada é ainda mais importante (como já mencionei anteriormente).
Leia em voz alta, faça vozes para os personagens, mostre as ilustrações e faça perguntas. A experiência pode ser muito mais envolvente quando a criança percebe que existe alguém compartilhando aquele momento com ela e ler se torna uma brincadeira diferente.
5. Comece com pouco tempo
Se uma criança passa várias horas por dia usando telas e quase nunca lê, exigir que ela fique uma hora com um livro provavelmente não será a melhor estratégia, então comece aos poucos.
Dez minutos, depois, quinze, mais tarde, talvez vinte, o objetivo inicial não é fazer a criança ler durante muito tempo, é criar o hábito de começar. Quando a leitura se torna familiar, aumentar o tempo pode acontecer naturalmente ao ponto dela começar sozinha e passar horas e horas lendo.
6. Crie um cantinho da leitura
Você não precisa montar uma biblioteca em casa, um pequeno espaço pode ser suficiente. Pode ser uma almofada no quarto, uma poltrona, um tapete ou um cantinho da sala.
Coloque alguns livros ao alcance da criança, você também pode deixar uma pequena cesta ou caixa com os títulos favoritos. A ideia é tornar os livros visíveis e acessíveis, quando o livro está escondido dentro de um armário, é menos provável que a criança pense nele espontaneamente.
7. Use o interesse pelo celular a seu favor
Você não precisa tratar tecnologia e leitura como inimigas, existem maneiras de fazer uma ponte entre as duas coisas. Por exemplo, se a criança gosta de determinado personagem, jogo ou universo, procure livros relacionados ao assunto.
Uma criança apaixonada por animais pode se interessar por livros sobre animais, uma criança que gosta de espaço pode gostar de livros sobre planetas, quem gosta de jogos pode se interessar por histórias de aventura. O interesse inicial pode ser usado como uma porta de entrada para a leitura.
Mais uma dica que usei bastante pra incentivar a leitura dos meus irmão mais novos que praticamente nasceram com um celular na mão, foi usar a plataforma do Itaú para leitura, o Leia com uma criança que oferece diversos livros online, e recentemente o MEC também começou a oferecer uma biblioteca virtual e que há livros infantis. Com isso, podemos usar o celular no incentivo da leitura, você já usou algum deles?
8. Não escolha livros difíceis demais

Imagine alguém entregando para você um livro enorme sobre um assunto que não conhece e dizendo: “Agora você precisa ler isso.” Provavelmente você também teria pouca vontade, com as crianças acontece algo semelhante, um livro muito acima da capacidade de leitura pode causar frustração.
Por isso, observe:
- tamanho do texto;
- quantidade de páginas;
- vocabulário;
- tamanho das letras;
- quantidade de ilustrações;
- assunto;
- nível de autonomia da criança.
Para crianças que estão começando, livros menores e mais visuais podem ser uma excelente porta de entrada.
9. Transforme a leitura em conversa
Depois de ler, não transforme o momento imediatamente em uma prova, evite uma sequência de perguntas como:
“Qual era o nome do personagem?”
“Qual foi o problema?”
“O que aconteceu depois?”
“Qual foi a moral?”
Em vez disso, converse naturalmente.
“Eu gostei daquele personagem. E você?”
“Você teria feito a mesma coisa?”
“Qual foi a parte mais engraçada?”
Isso ajuda a criança a perceber que a leitura também pode ser uma forma de conversar e compartilhar opiniões.
10. Não compare seu filho com outras crianças
Talvez o filho de alguém leia cinco livros por mês, isso não significa que seu filho precisa fazer o mesmo. Cada criança desenvolve seus hábitos em um ritmo diferente, comparações como: “Seu primo adora ler e você não.” Podem gerar vergonha e resistência, em vez de comparar, observe o progresso individual. Se antes a criança não queria abrir nenhum livro e agora escolheu um para ler, isso já é uma mudança importante.
E se a criança continuar preferindo o celular?
Não espere uma mudança instantânea, a tecnologia é parte da vida moderna e, dependendo da idade, da família e da rotina, pode continuar presente. O objetivo não precisa ser fazer seu filho trocar completamente o celular pelo livro.
Uma meta mais realista é construir equilíbrio, a criança pode brincar, assistir a vídeos, jogar e também ler. O importante é que a leitura tenha espaço na rotina, para crianças pequenas, os adultos podem estabelecer limites de tela adequados à idade e à realidade familiar, já para crianças maiores, combinar horários e construir acordos pode ajudar. O diálogo tende a funcionar melhor do que uma disputa constante.
Uma estratégia simples para começar hoje
Se você quer começar agora, experimente este pequeno desafio: O desafio dos 10 minutos. Escolha um livro que seu filho tenha interesse em conhecer, não precisa ser um livro longo, reserve 10 minutos por dia durante uma semana. Durante esses minutos:
- deixe o celular de lado;
- sente perto da criança;
- permita que ela escolha o livro;
- leia junto, se necessário;
- não cobre velocidade;
- converse sobre a história;
- pare enquanto ainda estiver agradável.
Depois de alguns dias, observe, talvez a criança comece a pedir mais tempo, talvez escolha outro livro ou nem demonstre grande interesse e está tudo bem, o hábito está sendo construído aos poucos.
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